Por Robert J. Tamasy
O despertador toca e esfrega os olhos para espantar a sonolência do seu cérebro.
Preparado ou não, está prestes a iniciar outro dia de trabalho.
Nesses momentos rápidos que precedem a sua saída da cama, o que é que o motiva?
Que factor - ou factores - lhe vão dar energia para enfrentar as oportunidades e os desafios do dia?
Será ganhar dinheiro, fechar uma grande venda com um cliente importante e receber uma boa comissão ou dar um enorme passo rumo à conquista da tão sonhada promoção?
Será o cumprimento duma meta grandiosa, que tem exigido o máximo da sua atenção e energia nas últimas semanas?
Ou ainda, ter o reconhecimento da sua empresa pelo seu trabalho árduo e diligência, ser valorizado pelos seus superiores e companheiros de trabalho?
No seu intrigante livro, “Leadership is an Art” (A Liderança é uma Arte), o ex-Executivo Max DePree, a partir da sua própria experiência, examina o impacto duma boa liderança - e daquela nem tão boa assim! - no mercado de trabalho.
Em relação à motivação pessoal no trabalho, ele escreve: "Metas e recompensas são apenas partes diferentes da actividade humana. Quando as recompensas se tornam na nossa meta, estamos empenhados apenas em alcançar parte do nosso trabalho".
Ao ler esta afirmação é possível que esteja a coçar a cabeça e a pensar: “Se as recompensas se transformam em metas, estamos a buscar apenas parte do nosso trabalho? Mas não será este o propósito do trabalho – receber o cheque em troca e alcançar realizações dignas de reconhecimento?”
Se procurarmos compreender DePree correctamente, a sua resposta é um enfático “não”. Ele não está a sugerir que as metas e recompensas não sejam partes válidas do trabalho, mas sim, mesmo quando as metas permanecem distantes e não há recompensa ou reconhecimento significativos à vista, o trabalho ainda possui valor intrínseco – para nós mesmos e para as outras pessoas.
Em busca duma perspectiva desafiadora sobre trabalho e porque o desempenhamos, vamos consultar uma fonte incomum: a Bíblia!
Trabalho é instituição divina. No relato da criação, Deus ordenou aos primeiros seres humanos: “Sejam férteis e cresçam; encham a terra e dominem-na; dominem sobre os peixes do mar e as aves do céu e sobre todos os animais que andam sobre a terra.” “Dou-vos todas as plantas que produzem semente e que existem em qualquer parte da terra e todas as árvores de fruto, com a sua semente própria. É isso que devem comer.” (Génesis 1:28, 29).
Trabalho reflecte o carácter e a natureza de Deus. O primeiro capítulo de Génesis relata tudo quanto Deus fez e o segundo começa assim: “No sétimo dia, Deus tinha completado a sua obra e nesse sétimo dia Deus descansou dos trabalhos que tinha vindo a fazer. Deus abençoou o sétimo dia e fez dele um dia sagrado, pois foi o dia em que ele descansou de todo o trabalho de criação que tinha feito” (Génesis 2:2, 3).
Trabalho deve ter foco divino. Se cremos que Deus nos conferiu talentos e capacidades únicos, dando-nos também um espaço específico onde utilizá-los, devemos esforçar-nos por usá-los agradecidamente e de maneira a honrá-Lo. “O que fizerem, façam-no de todo o coração, como se estivessem a servir o Senhor e não os homens” (Colossenses 3:23).
Trabalho diminui a nossa dependência dos outros. Na vida, precisamos uns dos outros. E a maioria de nós admite que precisa de Deus. Mas através do trabalho encontramos realização, dignidade e meios para suprir as nossas necessidades quotidianas. “E procurem viver em paz; resolvam os vossos problemas e trabalhem para ganhar a vossa vida, como vos recomendámos. Assim conseguirão conquistar a estima dos de fora e poderão viver sem ter necessidade de mais minguém” (I Tessalonicenses 4:11, 12).
Trabalho é responsabilidade de todos. Alguém disse: “Amo o trabalho; poderia ficar a olhar as pessoas trabalhar o dia inteiro!” Mas ninguém está isento da responsabilidade – e do privilégio – de trabalhar, servindo a si próprio e aos outros. “Mas quisemos dar-vos o exemplo para que façam como nós fizemos. Quando aí estivemos, dissemo-vos claramente que quem não quiser trabalhar não tem direito a comer” (II Tessalonicenses 3:10).